ENTENDA COMO O ACÚMULO DE CARBONO PODE PREJUDICAR O SEU VEÍCULO (E DE QUEBRA ARRUINAR O SEU BOLSO)

Os motores a gasolina e diesel acumulam depósitos de carbono dentro dos cilindros durante um período de tempo. Este acúmulo de carbono acontece por várias razões: queima imprópria do combustível, qualidade inferior do combustível, etc.

 O acúmulo de carbono pode prejudicar o motor do seu veículo (e sua carteira), sem que você perceba logo de cara. Ele pode vir em forma de menor quilometragem de combustível, aumento do consumo de óleo e, em alguns casos, falha catastrófica do motor.

Você provavelmente já viu uma espécie de “crosta negra”endurecida nas velas de ignição de motores mais antigos ou até removeu uma cabeça de cilindro para descobrir o carbono acumulado na câmara de combustão na parte superior dos pistões e nas válvulas.

A origem desses depósitos em motores desgastados pode ter diversas origens, entre elas: o vazamento de óleo pelos pistões e válvulas e na câmara de combustão, onde são parcialmente queimados enquanto o motor está em funcionamento.

Os resíduos dessa combustão parcial se acumulam em todas as superfícies, reduzindo o espaço dentro da câmara de combustão e aumentando efetivamente a taxa de compressão do motor, além das especificações de projeto.

Isso, juntamente com os pontos quentes dos blocos brilhantes de carbono, pode causar batidas no motor por pré-ignição prejudicial.

Há alguns anos, os motores mais novos também começaram a combater o acúmulo de carbono, de uma forma menos extrema. A parafina comumente utilizada na gasolina pode aderir às válvulas de admissão, em seu percurso para os cilindros, criando, dessa forma, acúmulo que obstrui o fluxo de combustível e de ar fresco.

As empresas trataram disso com classes de combustível premium, que possuem aditivos de limpeza para prevenir e remover o carbono nas válvulas, a partir dessa fonte.

Mas agora, a mais nova geração de motores— aqueles que apresentam sistemas de injeção direta de combustível para máxima potência e eficiência — está enfrentando acúmulo de carbono nas válvulas de admissão por um novo motivo. E às vezes você não o percebe.

A injeção direta de combustível pulveriza gasolina diretamente na câmara de combustão sob uma pressão muito alta, ignorando completamente a porta e a válvula de admissão. Isso gera benefícios em termos de gerenciamento da eficiência da combustão.

Contudo, isso também permite um problema inesperado: mesmo em motores mais novos, pequenas quantidades de óleo podem infiltrar nas vedações da válvula e escoar por elas.

Nas válvulas de exaustão, os gases quentes que saem do cilindro queimam esse óleo a partir das hastes da válvula. Porém, o lado frio da admissão contava com a névoa de gasolina que entra no cilindro para lavar o óleo desde as válvulas de admissão.

Nos motores de injeção direta, não há combustível passando pela porta de admissão, uma vez que este é jorrado diretamente na câmara de combustão. Os motores mais novos e sofisticados da atualidade estão sofrendo um surpreendente acúmulo de carbono, mesmo a uma quilometragem muito baixa.

O problema é que, embora ele não esteja quente o suficiente nas válvulas de admissão para queimar o óleo, ele é quente o bastante para transformá-lo em carbono, explica o engenheiro americano da Valvoline Michael Warholic.

“Esses depósitos podem se formar rapidamente, entre 32.000 km a 40.000km além de causar problemas relacionados à economia de combustível e ao desempenho geral do motor”, alertou.

Esse carbono pode se acumular o suficiente para obstruir as válvulas de admissão no momento em que elas fecham e impedir que a câmara de combustão seja vedada de maneira adequada. Quando isso acontece, é provável que a luz de “Verificação do Motor” do carro se acenda, mesmo que os sintomas ainda sejam leves demais para os motoristas detectarem, disse Warholic.

“Ele percebe um problema muito antes de você, na maioria dos casos”, explicou ele. “Uma marcha lenta irregular pode ser um caso extremo.”

De fato, os sistemas modernos de gerenciamento de motores são tão sensíveis que podem detectar o erro de temporização da válvula resultante desde um trecho de apenas 0,02% da cadeia de temporização de um motor, disse Warholic.

“Você vai perder potência e pressão, por isso será necessário mais queima de combustível para obter mais potência”, disse ele.

Mas isso é apenas o começo, porque os blocos de carbono – como, por exemplo, pequenos pedaços de briquete de carvão – podem se soltar das válvulas e cair no cilindro de acionamento, onde podem se alojar nos anéis do pistão.

“Você vê alguns desses depósitos, que se soltam, entram no cilindro e interagem com os anéis do pistão, o que pode levar ao aumento do consumo de óleo”, alertou Warholic.

O consumo de óleo é ruim. O pior é que, como os carros modernos quase nunca precisam adicionar óleo entre as trocas, a maioria de nós não verifica mais regularmente os níveis de óleo do motor de nossos carros.

“Antes, toda vez que você abastecia, verificava o óleo”, lembra Warholic. “Não acho que as pessoas estejam muito conscientes quanto a verificar o óleo entre as trocas”. Se o nível de óleo ficar muito baixo antes que o motorista perceba, pode ocorrer uma falha catastrófica do motor devido ao acúmulo de carbono nas válvulas de admissão.

A solução é evitar esse acúmulo ou removê-lo, se ele já existir.

Aqueles que colocam a mão na massa podem tentar sozinhos, mas na verdade tudo o que você pode fazer é colocar o óleo certo para ajudar a impedir que isso ocorra. Se isso já aconteceu, deixe a limpeza para uma loja especializada, antes que algo grave aconteça.

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