Injeção eletrônica: a evolução e as oportunidades para as oficinas

Desde a invenção do primeiro automóvel a necessidade de alimentação de um motor a combustão foi criada. Naquela época já se pensava a melhor maneira de otimizar esse funcionamento de forma a minimizar falhas E também problemas decorrentes de alguma falta de combustível nesse momento crucial.
Inicialmente os motores eram grandes e com baixa potência. De maneira geral eles traziam um grande volume e cilindrada entregando menos rendimento e, consequentemente nesse sentido, menos desempenho. A ideia de otimização desse processo sempre foi uma busca constante da engenharia.
Nessa época o sistema de injeção ainda era rudimentar apesar de ser uma grande criação, sem sombra de dúvida. O desenvolvimento maior começou a ocorrer no setor aeronáutico. Sabemos que os conflitos entre os países europeus no início do século XX geraram milhões de mortes e muita destruição, além do caos econômico.
Mas as guerras sempre trazem muito desenvolvimento do ponto de vista prático. Por conta da necessidade de otimização e racionalização dos mecanismos de combate o conflito estimula engenheiros a trabalhar no limite da necessidade. Isso acaba gerando o desenvolvimento direto de tecnologia e também se reflete em novas soluções.
Dessa forma os aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial, em especial, utilizavam sistemas de injeção direta, do modo mecânico, bastante otimizadas. Os motores aeronáuticos são muito desenvolvidos pois trabalham em altitudes rarefeitas. Inclusive alguns chegaram a utilizar compressores mecânicos no conflito.
Outro segmento, dessa vez muito mais positivo, que também desenvolve tecnologia para veículos de passeio é o automobilismo. Na década de 50 a Fórmula 1 surgiu e se tornou um laboratório constante para criação e aprimoramento de novos produtos para otimização da performance.
As corridas de longa duração conhecidas como endurance também foram responsáveis por esse desenvolvimento na época. Um dos modelos mais famosos e primeiro veiculo de passeio a receber uma injeção direta de combustível foi o Mercedes-Benz 300 SL, modelo que se tornou famoso pela abertura das portas apelidadas de asa de gaivota.
Na metade da década de 60 surgiram os muscle cars, veículos com alto desempenho para os padrões da época e muitas polegadas cúbicas sob o capô. Carroll Shelby, o texano que se tornou uma lenda por vencer as 24 Horas de Le Mans e também criar uma versão do Mustang com o seu nome, também ficou eternizado pela célebre frase: “Não há nada como polegadas públicas”.
Esses verdadeiros ícones sobre rodas marcaram e continuo marcando gerações de apaixonados por carros. Seja pelo desempenho, pelo estilo ou pelas cores de época que sempre roubam a cena. Muitos deles entraram para o imaginário popular e passaram a integrar coleções atualmente valendo alguns milhões de dólares.
E para alimentar esses motores de alta litragem? A grande maioria utilizava carburadores de corpo quádruplo, com diferentes capacidades volumétricas de injeção de combustível, que faziam bem o trabalho de abastecer essas bocas famintas com grandes motores V8.
Mas como vimos há pouco as marcas europeias já estavam pensando mais à frente. Porsche, Mercedes-Benz e BMW, além de algumas outras fabricantes, passaram a utilizar uma injeção mecânica de combustível. A K-Jetronic da Bosch fez história nos anos 70 e é praticamente encontrada na maior parte das marcas tradicionais.
O diferencial da injeção mecânica para um carburador é que a dosagem de combustível pode ser controlada de uma maneira mais eficiente. Isso não significa que isso seja mais simples. Esta injeção traz uma série de injetores pequenos e depende de uma regulagem bem feita do mecânico para que funcione perfeitamente e sem falhas na alimentação.
A década seguinte trouxe a inovação que faltava: a injeção eletrônica. Nos anos 80 passamos por um período de transição interessante de videogames a meios de transporte. A eletrônica se tornava algo essencial em nossas vidas e dava uma mãozinha para otimizar o trabalho, o lazer e as tarefas domesticas do cotidiano.
Naquela época foi desenvolvido o modelo da injeção eletrônica de combustível com um bico. Isso facilitava o monitoramento da quantidade ideal de combustível a ser injetado no cilindro de acordo com a dosagem do acelerador. Além disso gerava um modelo mais sustentável, palavra que se tornaria essencial nas décadas seguintes.
No Brasil essa tecnologia chegaria quase no final da década, em 1988. O primeiro modelo brasileiro com injeção eletrônica Bosch monoponto foi o Gol GTI da Volkswagen. Ele se tornou um divisor de águas no mercado por conta da nova tecnologia. Na sequência a Chevrolet deu a sua resposta com o luxuoso Monza 500 EF.
A partir desse momento um novo desafio surgiu para as oficinas acostumadas ao bom e velho carburador. E quem correu atrás do aprendizado saiu na frente com cursos e também atualização de seus profissionais. Nos anos seguintes a frota incorporou a injeção eletrônica como um item de série e as oficinas foram se adaptando.
Na metade da década de 90 mais tecnologia com a chegada da injeção direta de combustível comandada eletronicamente. Esta nova forma de otimização do rendimento automotivo foi criado no Japão e logo passou a ser utilizado por fabricantes da Europa e Estados Unidos.
Mas além da manutenção convencional e reparos de rotina os mecânicos também encontraram uma nova vertente para os motores injetados. A reprogramação da injeção eletrônica e a criação de sistemas de injeção programáveis abriu o leque de opções para quem trabalha no meio, com a possibilidade de aumento de potência e torque dos veículos.
O futuro mostra que os modernos sistemas de injeção vão dividir o espaço com os motores elétricos. Mas no cenário brasileiro, de maneira geral, os veículos elétricos devem permanecer restritos a um segmento menor do mercado. Portanto, invista no aprendizado e conhecimento sobre o sistema de injeção eletrônica. Os novos e futuros clientes agradecem.

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