QUAIS SÃO OS CUIDADOS QUE PRECISO TER COM A MINHA MOTO

Como cuidar de sua moto

Como todos sabemos, ter uma moto satisfaz necessidades diversas, que vão da conveniência em se locomover mais rápido no trânsito, de usá-la como meio direto de trabalho, até a diversão e realização. E o segredo para que ela sempre atenda as nossas expectativas, sem trazer, ao contrário, dores de cabeça, é cuidar adequadamente, seja lá qual for o uso que você faz dela. Pensando nisso, montamos essa lista com algumas recomendações e esclarecimentos, que vão te ajudar a mantê-la sempre em ordem.

Cuidados com a relação

Quando falamos sobre a relação, nos referimos ao conjunto que transmite a rotação e força originados no motor e câmbio para a roda traseira. Existem três tipos de relação final: Corrente, coroa e pinhão (mais comuns), eixo cardã e polias e correia. Cada um pede um tipo de cuidado diferente, que comentamos abaixo.

Coroa, corrente e pinhão: o conjunto mais utilizado nas motos, independentemente de cilindrada, modelo e fabricante. Tem a vantagem de ser mais barato que os outros tipos, e extremamente resistente a esforços pontuais de torque e altas rotações. A desvantagem está na necessidade de manutenção constante, e vida útil menor, ainda que bem cuidado. Deve estar sempre lubrificado, e existem hoje no mercado boas opções de lubrificantes spray pra isso, que oferecem boa aderência às peças, e são finos o suficiente para penetrar nas uniões dos elos da corrente, pontos que são mais sujeitos a atrito. Caso não tenha um spray desses em mãos e constate que o conjunto está seco, até mesmo o óleo de motor pode ser utilizado.

Não é a melhor opção, suja mais e dura menos, mas ainda é melhor do que rodar sem lubrificação. Evite apenas a popular “Graxa Branca”. Por ser excessivamente viscosa, não alcança os pontos internos dos elos, que funcionarão a seco. Além disso, ao grudar muita sujeira, a graxa deixa de ser um lubrificante e se torna um abrasivo, reduzindo a vida útil da corrente ao invés de aumenta-la. A periodicidade da lubrificação é dada pela própria análise visual do conjunto, e rodar sob chuva ou locais de muita poeira aumenta a necessidade de refazê-la. Também é necessário mantê-la regulada corretamente, sem ficar muito esticada, nem frouxa. Se você tem seu jogo de ferramentas e prefere dar você mesmo a manutenção da relação, o manual de proprietário pode te ajudar com esse procedimento. Se não, seu mecânico de confiança não terá problemas em deixar tudo como deve ser.

Eixo cardã: adotado em algumas motos de alta e média cilindradas, o eixo cardã é conhecido por exigir pouca manutenção, porém ainda existem procedimentos necessários. O conjunto de engrenagens localizado na extremidade da roda é banhado a óleo, que deve ser trocado periodicamente. O período e óleo indicados variam entre os modelos e fabricantes das motocicletas, e podem ser encontrados no manual do proprietário, ou informados em um concessionário da marca. Normalmente o volume de óleo é relativamente pequeno, inferior a meio litro, e a periodicidade da troca não chega a ser um empecilho. Também é recomendada a desmontagem do eixo (por um mecânico especializado de sua confiança), para que sejam lubrificadas suas extremidades com graxa, impedindo que a umidade que alcance a peça cause oxidação em seus encaixes, enfraquecendo-os e diminuindo sua vida útil. Falhar em manter essas manutenções em dia pode acarretar um grande prejuízo, pois a troca de componentes desse conjunto não é barata. Porém, submetê-lo à manutenção correta faz com que dure por toda a vida da moto. E fica mais uma dica: seu ponto fraco está nos “trancos”, como as arrancadas, queimar pneu, empinar, ou qualquer rotina de entregas bruscas de potência para o conjunto.

Correia e polias: talvez o menos comum dos três, também exige pouca manutenção. A correia deve ser regulada, da mesma forma que a corrente, porém a necessidade de novas regulagens é bem mais espaçada. Também não é necessário (nem recomendado) lubrificar a correia, pois o lubrificante em pouco tempo grudará detritos, que se tornarão abrasivos e danosos a todo o conjunto. Apenas mantê-la regulada e limpa leva a vida útil das peças a ser bem longa. Da mesma forma que o cardã, devem ser evitadas entregas súbitas de potência, que podem estourar a correia, cuja substituição é bem mais cara que uma corrente.

Lave, mas não muito

O carinho e cuidado que temos pela nossa motocicleta envolve uma lavagem de vez em quando. Problema nenhum neste ponto, desde que seja feito corretamente, e sem excessos.

– Não deve ser feito uso de lavadoras de alta pressão. Seu jato força a entrada de água em pontos em que isso é prejudicial, como conectores elétricos, sensores e módulos, causando mau funcionamento e até danos permanentes nesses componentes. Os rolamentos também são prejudicados, pois a força da água remove a graxa que os lubrifica, fazendo com que rodem a seco e também tenham sua vida útil reduzida. Apenas mangueiras de baixa pressão ou baldes de água devem ser adotados.

– A entrada da caixa do filtro de ar deve ser protegida, para que o filtro não fique encharcado e prejudique o funcionamento do motor.

– Desincrustantes e solventes (como “limpa baú” e “solupam”) não devem ser usados em nenhuma parte da moto. Sua química ataca o alumínio, o revestimento de zinco dos parafusos, as borrachas, vedações, etc, causando manchas e oxidações pela moto. Use apenas detergentes neutros, xampus automotivos e desengraxantes mais suaves.

– Após a lavagem, sempre lubrifique o conjunto da coroa, corrente e pinhão.

– Cuidado com os silicones que dão brilho nos pneus (populares “pretinhos”). Apesar de dar uma ótima aparência, durante o movimento podem escorrer das laterais do pneu para as bandas de rodagem, prejudicando a aderência e causando quedas em frenagens e inclinações de curvas. O melhor é não usar.

Evitando danos causados pela maresia

Se você mora no litoral, ou o frequenta com regularidade, sabe os danos que a umidade e salinidade do ar causam nos diversos materiais, levando à deterioração acelerada e oxidação. A moto também está exposta a esses males, e o cuidado deve ser redobrado com alguns pontos:

– A lavagem mais frequente (não excessiva), com o simples uso de água e detergente, ajudam a retardar os danos. As recomendações feitas no item anterior sobre como fazer uma boa lavagem se mantém. O uso de alguma cera automotiva nas peças plásticas ou envernizadas é um bom recurso.

– O uso de spray de silicone em pontos estratégicos da moto, como cabeça de parafusos, raios das rodas e extremidades de cabos de embreagem, freios e acelerador ajuda a evitar o surgimento de oxidação nesses pontos. O silicone é um recurso muito melhor que o desengripante nesse sentido, por ser mais viscoso e aderente, enquanto o desengripante é mais fino e tem o objetivo para usos mais momentâneos.

– Aumentar a atenção e frequência na lubrificação de relação e rolamentos, pois a mesma terá uma duração menor quando exposta a esse tipo de ambiente.

Checando o nível de óleo

Ainda que a moto seja nova, esteja em excelentes condições, e o óleo lubrificante utilizado esteja entre os melhores, ainda é esperado que o nível de óleo baixe com o tempo. Isso ocorre devido aos vapores de óleo gerados quando do aquecimento do motor, e pelo resíduo de óleo que fica nas paredes do cilindro e é queimado na combustão. Por isso, é recomendado verificar o nível do lubrificante, entre as trocas programadas. De moto pra moto, a verificação varia: algumas utilizam um visor no motor, outras uma vareta de medição, algumas pedem que a vareta seja rosqueada até o fim, outras que apenas toque o bloco do motor, algumas pedem que a moto esteja em posição vertical, outras que esteja no cavalete lateral. Se feita incorretamente, a medição irá, sem dúvida, falsear o resultado, fazendo com que o piloto coloque óleo demais no motor, ou mascare um nível muito baixo. O procedimento correto é informado no manual do proprietário, e é recomendado que seja feito de uma a duas vezes entre as trocas de óleo.

Aumentando a vida útil da bateria

A vida útil da bateria pode variar muito, dependendo da frequência e tipo de uso, da qualidade da própria bateria e de acessórios e alarmes que possam ser instalados na moto. Alguns procedimentos podem fazer com que ela seja estendida.

– O melhor cenário para a bateria é o uso frequente. Enquanto o motor da moto está em funcionamento, ela está sendo carregada, e não o contrário. Por isso, quanto maior a frequência com que se usa a moto, menor a descarga sofrida. Se sua moto é usada mais como lazer, poucas vezes no mês, é recomendado que, ao menos uma vez por semana, ela seja submetida a alguns quilômetros de pilotagem. Ligar a moto “uns dez minutinhos” na garagem não é tempo de recarga suficiente para compensar os dias parados, somados à descarga da partida. Vinte a trinta minutos de pilotagem direta são o tempo mínimo, e ao menos uma vez por semana. Um mantenedor de carga pode ser instalado na moto, para que fique ligada na tomada e a bateria seja alimentada enquanto estiver parada. É um dispositivo que fornece uma corrente baixa e constante para a bateria, sem risco de danificá-la, ainda que fique ligada initerruptamente por dias.

– Alarmes e rastreadores que utilizam a bateria da moto para funcionar devem ser evitados. Eles causam a chamada “corrente parasita” (ou fuga de corrente), que é o consumo de bateria mesmo com a moto desligada. Isso acarreta, não só, no descarregamento da bateria em um espaço de tempo muito mais curto, como também diminui a vida útil da mesma drasticamente. Se for utilizar dispositivos desse tipo, opte pelos que tem bateria própria.

– A instalação de acessórios, como tomada 12v, carregadores de celulares e GPSs, faróis auxiliares e outros que não sejam originais na moto devem ser feitos apenas na linha chamada “pós chave”. É uma linha que recebe alimentação apenas quando a chave está ligada. Se o acessório for ligado diretamente na bateria, há o risco do piloto esquecer ele ligado ao sair da moto, e a bateria ser consumida nesse período, ou de um mal funcionamento no dispositivo também gerar uma corrente parasita.

Não esqueça dos pneus

Ainda que não exijam procedimentos muito complicados, é comum esquecermos deles. Manter os pneus calibrados corretamente influencia muito na sua duração e na pilotagem da moto:

– O pneu mais vazio se deforma durante a movimentação, deixando a moto mais pesada. Consequentemente, gera maior gasto de combustível, visto que o motor precisa entregar mais força para alcançar a mesma velocidade. Além disso, essa deformação reduz muito a estabilidade durante curvas e frenagens, fazendo com que a moto brigue com o piloto nas manobras, ao invés de ajuda-lo. Se esses problemas já não foram o suficiente, o desgaste na banda de rodagem também é mais acelerado e assimétrico, condenando o pneu antes mesmo de “ficar careca”.

– O pneu muito cheio não só fica mais “duro”, como também diminui a área de contato entre a banda de rodagem e o solo. Assim sendo, a aderência com o asfalto nas acelerações, curvas e frenagens é prejudicada, e você sabe o que isso causa.

– Ao contrário do que se pensa, pneu tem validade, e é de cinco anos. A mesma não está escrita, mas sua data de fabricação sim. Ela fica em uma linha iniciada pelas letras “DOT”. São quatro números circulados, sendo que os dois primeiros representam a semana em que foi fabricado, e os dois últimos, o ano. O pneu da imagem abaixo foi fabricado na 33ª semana de 2015. Venceu, então, em 2020.

Procedimentos simples como os descritos acima não tomam muito tempo, nem exigem muitas ferramentas ou conhecimentos e habilidades técnicas, mas fazem muita diferença na vida útil da sua moto e, consequentemente, nos gastos que ela te dará.

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