QUAL É A COR DO ÓLEO LUBRIFICANTE SAUDÁVEL?

A escala de cor do óleo básico que compõe o lubrificante vai desde o transparente, passando pelo amarelo, marrom, chegando ao preto. Se tiver outra cor como vermelho, azul ou verde, é sinal de que foi adicionado um corante, muito comum em óleo de transmissão automática (ATF) e em fluido de direção hidráulica (HTF), especialmente para identificar eventual vazamento.

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imagem: portallubes.com.br

É correto afirmar que o óleo do motor deve ser sempre claro?

Uma coisa é certa: a cor do óleo do motor não significa desempenho. Há aproximadamente trinta anos, uma das maiores empresas de lubrificantes do Brasil desenvolveu um novo fluido para motor de veículos pesados com uma nova tecnologia que aumentava o desempenho do motor diesel em todos os aspectos, com o preço bastante competitivo. O departamento de Marketing investiu fortemente na divulgação do lançamento do produto, e o resultado de vendas foi catastrófico. Fizeram então uma pesquisa com o usuário final, o caminhoneiro, tentando entender o motivo da rejeição. A resposta foi unânime: “Este óleo é muito escuro, confio mais no que é claro”. O fato é que a tecnologia estava no pacote de aditivos, e o aditivo escurecia o óleo.

Outra grande empresa, há alguns anos também, decidiu dar um upgrade no óleo semissintético SAE 10W-40 para motor de veículos leves, de API SL para API SM, mantendo o mesmo nome comercial. Este upgrade na performance e tecnologia na classificação API incorporava um pacote de aditivos com maior quantidade (taxa de tratamento) e mais escuros. Esta empresa recebeu um número de recorde de reclamações e devoluções dos usuários finais, que afirmavam que a qualidade do óleo tinha sido piorada por estar mais escuro. O problema só foi resolvido através de um comunicado oficial da empresa, com esclarecimentos da área técnica e de marketing.

Portanto não é correto afirmar que o óleo do motor deve ser sempre claro, pois todos os óleos básicos sintéticos são transparentes, e o que define a cor é a tecnologia, quantidade e variedade do pacote de aditivos.

Por que o óleo do motor fica escuro?

O óleo fica escuro por 2 motivos, por ação dos aditivos de limpeza, ou pela degradação do óleo:

No primeiro caso; qualquer óleo de motor automotivo recebe 2 aditivos que limpam as paredes e canais do motor, escurecendo o óleo, são os Detergentes e os Dispersantes:

  •  Detergentes: Limpa as superfícies do motor de depósitos e neutraliza ácidos corrosivos. São compostos alcalinos que neutralizam os ácidos e limpam os depósitos das superfícies do motor.
  • Dispersantes: Dispersa partículas de fuligem presentes no óleo de motor. As moléculas do aditivo envolvem as partículas. Suas caudas solúveis em óleo suspendem as partículas não permitindo aglomerar ou criar depósitos.

No caso dos aditivos de limpeza, quanto maior a eficiência, menor a formação de fuligem, borras e lacas nas paredes e canais do motor. Portanto, quanto mais escuro, melhor o resultado da limpeza, que elimina estes contaminantes pelo dreno durante a troca de óleo.

No segundo caso; todo óleo mineral ou sintético é formado por cadeias de hidrocarbonetos, ou seja, moléculas de carbono e hidrogênio. Os hidrocarbonetos são os responsáveis pela criação do filme ou película lubrificante, que impede o contato entre as partes metálicas, evitando o atrito, desgaste e aquecimento. Os maiores inimigos do hidrocarboneto são o oxigênio e a temperatura, que oxidam, craqueiam, destroem estas moléculas, e ocorrem de 3 formas químicas diferentes dentro do motor de forma inevitável:

  • Oxidação – É a formação de ácidos por compostos sulfurosos (Testes: FTIR- Sulfatação, AN, Viscosidade).
  • Degradação Térmica – É a implosão de bolhas de ar, em altas temperaturas de superfícies. (Testes: FTIR- Nitração, Ultracentrifugação, Ensaio de Membrana).
  • Contaminação – É a mistura de lubrificantes, detergentes cáusticos, produtos de processos químicos. (Testes: Análise de Elementos, FTIR, Viscosidade).

No caso da degradação do óleo, os hidrocarbonetos de peso molecular mais altos tornam os óleos mais escuros, menos saudáveis, e com o tempo chegarão à morte.

O óleo mais escuro é também mais grosso?

O óleo lubrificante para motores de veículos leves, pesados e motocicletas, é composto por óleo básico (mineral ou sintético), e por um pacote de aditivos.

Os óleos básicos minerais para motor podem ser de grupo i (parafínico), grupo II (hidrogenado), e os sintéticos, grupo III (hidrocraqueado), grupo IV (pao), ou grupo v (éster). Com exceção do mineral grupo I, todos os outros óleos básicos são transparentes (incolores), independentemente de a viscosidade ser maior ou menor, mais grosso ou mais fino.

Já o óleo básico mineral grupo I, único fabricado pela Petrobras nas refinarias REDUC-RJ e RLAM-BA, não é transparente. Na refinaria, o petróleo cru é aquecido à 380°C e os gases passam por dois processos de destilação: a atmosférica, onde obtém-se o óleo básico, e a vácuo, onde separa-se o óleo básico por viscosidade. Estas refinarias de óleo básico mineral Grupo I, produzem 6 diferentes tipos de viscosidades de óleo básico, do mais fino (menos viscoso) para o mais grosso (mais viscoso), nesta ordem:

  •  Spindle – 100 N
  •  Neutro Leve – 150 N
  •  Neutro Médio – 330 N
  •  Neutro Pesado – 600 N
  •  Bright Stock – BSS
  •  Cilinder – CYL

Pelo próprio processo de fabricação, e pelas características químicas de peso molecular dos hidrocarbonetos, no caso do óleo básico mineral Grupo I, podemos afirmar que o mais grosso é mais escuro. A maioria das formulações de fluidos para motor automotivo utilizam os óleos neutro leve e neutro médio. Há muito tempo que qualquer montadora não indica óleo básico mineral Grupo I para veículos novos, no mínimo óleo básico mineral Grupo II (Hidrogenado), que é transparente.

A norma que define a especificação de cor para óleo lubrificante é a ASTM D1500/NBR 14483/D6045

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